Em 2023, houve ao menos 565 chacinas, com mais de quatro óbitos, no país; um em cada cinco americanos teve familiar morto a tiros

A Polícia Estadual do Maine, nos Estados Unidos, montou uma operação de guerra para caçar e prender Robert R. Card, um  reservista do Exército de 40 anos por suspeita de abrir fogo e matar 22 pessoas em dois atentados na noite deta quarta-feira (25) — um num boliche e o segundo em um bar-restaurante, a poucos metros de distância. Há veículos de imprensa que falam em 16 mortos, então, o número deve mudar.

O palco dos assassinatos em massa foi a cidade de Lewiston, a segunda maior do Maine. Além desta, três cidades próximas — Bowdoin, Auburn e Lisbon — estão desertas, já que as autoridades mandaram os moradores ficar em casa.

Segundo a ONG Gun Violence Archive (Arquivo da Violência com Armas de Fogo, em tradução livre), houve pelo menos 565 chacinas, com quatro ou mais mortos, desde o início do ano nos Estados Unidos.

O secretário de Segurança Pública do Maine, Mike Sauschuck, afirmou que centenas de policiais estão nas ruas para procurar o suspeito, que supostamente sofre de problemas mentais. “Temos literalmente centenas de policiais trabalhando em todo o estado do Maine para investigar o caso, para localizar o senhor Card”, disse.

As autoridades locais fecharam estradas, suspenderam as aulas nas escolas públicas de Portland, a maior cidade do estado, e ainda pediram aos moradores que fiquem em casa.

Há centenas de homens das forças de segurança nas ruas atrás de Card. A localidade de Bowdoin, que fica a 22 km de Lewiston e é cidade-natal do suspeito, está praticamente às moscas.

Card está supostamente escondido na cidade, com 3.100 habitantes. Lewiston também é pequena, já que tem 38 mil moradores.

Card é um instrutor de tiros certificado e reservista do Exército. Portanto, sabe manusear armas de grosso calibre, como o rifle que usava ao ter sua imagem capturada por essa câmera de segurança.

“Nossos hospitais não estão equipados para lidar com esse tipo de tiroteio”, acrescentou Robert McCarthy, vereador de Lewiston, antes de informar que os ataques deixaram entre 50 e 60 feridos.

Pelo menos um em cada cinco adultos americanos tive um familiar morto por arma de fogo, incluindo homicídios ou suicídios, de acordo com pesquisa da KFF, uma organização antes conhecida como Fundação da Família Kaiser. O levantamento mostra ainda que a proporção de adultos que sofreram, pessoalmente, com um tiroteio é de um em cada seis, que testemunhou vítimas em decorrência de tiros.

Os Estados Unidos têm mais armas que habitantes: um adulto em cada três possui ao menos uma arma, e quase 50% dos adultos moram em uma residência com uma arma. A consequência da proliferação é a taxa extremamente elevada de mortes por armas de fogo, incomparável com os índices de outros países desenvolvidos.

À rede britânica BBC, a diretora da Rádio Pública do Maine, Susan Sharon, revelou a situação atual no local. “Ontem à noite, os moradores, incluindo eu mesma, receberam mensagens de texto que advertiam sobre ficar trancado em casa devido a um ataque a tiros.” Ainda nesta quinta, as autoridades locais darão uma entrevista para explicar a situação.

 

 

 

 

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