Falta de estrada, escola e posto de saúde. É assim que vivem cerca de 500 famílias que moram na Gleba Rio Preto, numa região considerada ribeirinha, a 160 km da capital Porto Velho. A riqueza da floresta, com muita flora e fauna, além da farta produção agrícola, contrasta com a situação de abandono e indigna dos moradores.

Segundo a moradora Carine Lopes, mais de 100 crianças estão fora da sala de aula. Por falta de transporte escolar e das péssimas condições da estrada, tomada por crateras e lama, jovens do ensino médio não podem chegar até a margem do rio para terem acesso ao transporte escolar fluvial e estudar.
“A escola que temos é de madeira, construída pela própria comunidade. A Semed (Secretaria Municipal de Educação) ficou de vir acabar de fazer, mas não apareceram e disseram que as aulas tinham que começar a todo custo”, denuncia a moradora.
Carine acrescenta que a Semed contratou dois pedreiros da própria comunidade, eles começaram a trabalhar com um pouco de material que chegou, mas o material acabou.
“Eles fizeram o que podiam fazer com o material de péssima qualidade. O material acabou, eles estão há 40 dias acampados na escola, esperando o restante do material. Toda semana prometem que vai chegar, mas não chega”, lamenta.
Ainda segundo a moradora, “tem uma ata assinada pelos pais dando conta de um recurso de R$ 150 mil para terminar a obra na escola, mas não pagam os pedreiros e nem mandam o material”.
Além disso, tem apenas uma professora para 43 alunos, não tem merendeira e nem zeladora. “E eles querem que a professora volte a dar aula do jeito que a escola está. Queremos nossos filhos na escola, mas com qualidade. A escola não tem banheiro, não tem água e tem crianças que moram a 10 km da vila”, conta.
Além da falta de escola, a estrada é intransitável, só passa de trator ou caminhonete traçada. O local também não tem posto de saúde. A estrada principal, que é a Linha Eletrônica, está tomada por crateras, água e lama.
“A gente só pede que nos deem o direito de ir e vir e de colocar as nossas crianças na escola, de ter uma educação de qualidade e um posto de saúde”, finalizou.
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